Governo inicia negociações com setores atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos
Governo inicia negociações com setores atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos
Brasil

Governo inicia negociações com setores atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos

Reuniões com indústrias automotiva, têxtil e de calçados marcam primeira resposta oficial de Brasília à sobretaxa de 25% imposta pelos americanos.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início nesta terça-feira (21) a uma série de reuniões com representantes do setor produtivo brasileiro para tratar dos efeitos do tarifaço de 25% aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. O objetivo dos encontros é apresentar aos empresários as primeiras ações planejadas pelo governo, ouvir as demandas de cada segmento e ajustar a resposta brasileira à medida americana, segundo fontes ouvidas na Esplanada dos Ministérios.

Quais setores estão na mesa de negociação

Entre as primeiras entidades recebidas pelo governo estão a Anfavea, que representa os fabricantes de veículos, o Sindipeças, ligado à indústria de componentes automotivos, e associações de setores como máquinas e equipamentos (Abmaq), têxtil (Abit), calçados (Abicalçados), plástico (Abiplast), elétrico e eletrônico (Abinee) e pneumáticos (Anip). A escolha desses segmentos reflete o peso que cada um tem na pauta exportadora brasileira aos Estados Unidos e o potencial impacto direto da sobretaxa sobre empregos e faturamento das empresas envolvidas.

As duas frentes da resposta brasileira

A estratégia do governo se apoia em duas frentes principais, que devem ser detalhadas ao longo das reuniões. A primeira é a busca por novos mercados para os produtos hoje afetados pelas tarifas americanas, com foco especial em países da União Europeia, aproveitando o acordo de livre comércio em vigor entre o bloco e o Mercosul, além de nações do Sudeste Asiático e da Ásia Central. A segunda frente prevê um pacote de socorro às empresas mais impactadas, batizado de nova edição do Plano Brasil Soberano, sob condução do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o novo tarifaço deve atingir 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Do total exportado ao país norte-americano, 57% permanece isento da sobretaxa, enquanto os cerca de 24% restantes seguem sujeitos a outro regime tarifário, ligado à investigação sobre vendas de aço e alumínio brasileiros ao mercado americano.

O papel da Apex Brasil na diversificação de mercados

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex Brasil, já havia anunciado na sexta-feira (17) a reserva de R$ 130 milhões destinados a diversificar os destinos das exportações brasileiras após a sobretaxa americana. Segundo o presidente da agência, Laudemir Müller, parte desses recursos será usada para custear viagens de empresários estrangeiros ao Brasil, com o objetivo de negociar e fechar contratos diretamente com empresas brasileiras afetadas pelas tarifas.

Müller afirmou ainda que a estratégia de diversificação deve priorizar países europeus, dado o acordo comercial em vigor com o Mercosul, além de nações da Asean e da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão, mercados considerados de menor exposição política em relação aos Estados Unidos e com potencial de absorver parte da produção nacional hoje direcionada ao mercado americano.

Por que o governo não espera negociar com Washington antes das eleições

Um fator que orienta a postura do Palácio do Planalto é a avaliação interna de que não há espaço político para negociar diretamente o tarifaço com os Estados Unidos antes das eleições brasileiras de outubro. Auxiliares do presidente Lula acreditam que a Casa Branca só deve voltar a se engajar de forma mais efetiva nas tratativas comerciais após o resultado do pleito no Brasil, independentemente de quem for eleito para a Presidência.

Para empresários e trabalhadores dos setores diretamente afetados, o desfecho dessas negociações tem relação direta com decisões de curto prazo sobre produção, exportação e manutenção de empregos, especialmente em segmentos como o automotivo e o têxtil, historicamente sensíveis a variações no comércio exterior. O acompanhamento das próximas rodadas de reuniões deve indicar se o pacote de socorro do governo será suficiente para amenizar os efeitos da medida americana enquanto durar o impasse comercial entre os dois países.

What's your reaction?

Excited
0
Happy
0
In Love
0
Not Sure
0
Silly
0

Mais em:Brasil

Os comentários estão desativados.