Vista urbana de Rio Branco encoberta por fumaça durante período de queimadas
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Pesquisa da Ufac relaciona queimadas ao aumento de internações por doenças respiratórias em Rio Branco

Uma pesquisa coordenada pelo professor Anderson Mesquita, da Universidade Federal do Acre (Ufac), identificou uma relação entre o aumento das queimadas, a concentração de partículas finas na atmosfera e o crescimento de registros de doenças respiratórias em Rio Branco. O estudo analisou informações da capital acreana entre 2021 e 2024.

De acordo com a Universidade Federal do Acre, a pesquisa cruzou dados de focos de calor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), medições de material particulado fino e registros de atendimentos e internações na rede pública de saúde.

O trabalho foi divulgado pela Ufac em 16 de setembro de 2026, durante o Simpósio Nacional de Geografia da Saúde. A análise busca compreender como a fumaça associada às queimadas urbanas e rurais se relaciona com a procura por atendimento médico em Rio Branco, especialmente durante períodos de estiagem.

Estudo analisou queimadas, PM2.5 e atendimentos

Um dos indicadores considerados pelos pesquisadores foi o PM2.5, nome dado às partículas finas presentes no ar. Por terem dimensões muito pequenas, elas estão associadas à poluição atmosférica e foram utilizadas no levantamento para acompanhar a deterioração da qualidade do ar durante os períodos com maior ocorrência de queimadas.

Segundo a divulgação da Ufac, os intervalos de maior incidência de focos de calor foram acompanhados por elevação na concentração de PM2.5 na atmosfera. Na mesma base de análise, os pesquisadores observaram uma tendência de aumento nos casos de asma, bronquite e pneumonia quando as condições do ar pioraram.

Os dados de saúde utilizados no estudo vieram do DataSUS e da Secretaria Municipal de Saúde. A pesquisa também considerou informações sobre atendimentos e internações registradas na rede pública de Rio Branco, conforme a instituição de ensino. A Prefeitura de Rio Branco é a referência institucional municipal relacionada aos serviços de saúde mencionados no levantamento.

Relação não significa prova isolada de causalidade

A pesquisa aponta uma correlação entre os fenômenos: nos períodos em que as queimadas e a concentração de partículas finas aumentaram, também houve tendência de crescimento dos registros de doenças respiratórias analisadas. Esse tipo de resultado indica uma associação observada nos dados, mas não deve ser apresentado como prova absoluta de que cada internação foi provocada diretamente pela fumaça.

A distinção é relevante porque os registros de saúde podem estar relacionados a diferentes fatores. No caso do levantamento da Ufac, o objetivo foi comparar a ocorrência de focos de calor, a qualidade do ar e a movimentação na rede pública, identificando padrões comuns ao longo do período de 2021 a 2024.

Assim, os resultados reforçam a necessidade de acompanhar conjuntamente os indicadores ambientais e de saúde. Para Rio Branco, a comparação permite observar como um problema recorrente durante a estiagem pode aparecer também na demanda por atendimentos relacionados ao sistema respiratório.

Impactos durante a estiagem em Rio Branco

A capital do Acre pode enfrentar períodos de ar mais seco e presença de fumaça quando as queimadas se intensificam. Nessa situação, a poluição atmosférica deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ter reflexos sobre a saúde pública, conforme a relação identificada no estudo coordenado pela Ufac.

As enfermidades destacadas na pesquisa foram asma, bronquite e pneumonia. A tendência de aumento desses registros nos períodos de pior qualidade do ar ajuda a dimensionar os efeitos da fumaça sobre a população e também chama atenção para a pressão que esse cenário pode exercer sobre a rede pública de atendimento.

O levantamento não apresenta uma estimativa isolada para cada doença nem informa, na divulgação consultada, um número total de internações associado às queimadas. A contribuição central do trabalho está no cruzamento de diferentes bases de dados para identificar a coincidência entre os períodos de maior poluição e a elevação dos registros respiratórios.

Pesquisa reforça importância do monitoramento

Ao reunir informações do Inpe, do DataSUS e da Secretaria Municipal de Saúde, o estudo produz um retrato específico de Rio Branco e da relação entre a dinâmica das queimadas e os atendimentos na capital. A abordagem também amplia o debate sobre a necessidade de monitorar a qualidade do ar durante a estiagem.

A divulgação da Ufac destaca que os resultados podem contribuir para políticas de prevenção, acompanhamento dos níveis de material particulado e redução dos focos de incêndio. O tema envolve tanto as queimadas urbanas quanto as rurais, cujos efeitos podem alcançar a área urbana por meio da dispersão da fumaça.

Para os moradores de Rio Branco, a pesquisa oferece uma conexão objetiva entre o ambiente e os serviços de saúde: quando aumentam as queimadas e piora a qualidade do ar, os registros de doenças respiratórias analisados pelos pesquisadores também apresentam tendência de alta. O estudo, portanto, fornece dados locais para orientar novas investigações e ações de prevenção.

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