Lucas Peralles
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O que seu corpo realmente quer: Lucas Peralles desvenda a fome emocional

Abrir a geladeira poucos minutos depois do almoço, sentir uma vontade incontrolável de comer um doce após um dia estressante ou beliscar alimentos durante o trabalho sem perceber são situações comuns na rotina de muitas pessoas. Em diversos casos, esses episódios são interpretados como sinais de fome, quando, na realidade, podem estar relacionados a emoções, hábitos ou estímulos do ambiente. Essa confusão faz com que muitas pessoas acreditem que têm dificuldade para controlar o apetite, quando o verdadeiro desafio está em reconhecer o que o organismo realmente está comunicando. Segundo Lucas Peralles, aprender a diferenciar a fome fisiológica da vontade de comer é um dos passos mais importantes para desenvolver autonomia alimentar e construir um emagrecimento sustentável.

O cérebro humano foi programado para utilizar a alimentação não apenas como fonte de energia, mas também como mecanismo de recompensa, prazer e proteção emocional. Isso significa que nem toda vontade de comer surge porque o corpo precisa de nutrientes. Muitas vezes, ela aparece como resposta ao estresse, à ansiedade, ao cansaço, ao tédio ou até mesmo a estímulos aparentemente simples, como sentir o cheiro de um alimento ou assistir a uma propaganda. Quando essas situações se repetem diariamente, o cérebro passa a associar determinadas emoções ao ato de comer, criando padrões automáticos que dificultam a percepção dos verdadeiros sinais de fome e saciedade.

A fome verdadeira tem características diferentes da vontade de comer

A fome fisiológica é um mecanismo natural de sobrevivência. Ela surge gradualmente à medida que o organismo utiliza parte da energia disponível, sendo regulada por hormônios como a grelina, responsável por estimular o apetite, e pela leptina, que participa da sensação de saciedade. Normalmente, esse tipo de fome não exige um alimento específico. Quando ela aparece, diferentes opções alimentares costumam ser suficientes para satisfazer a necessidade do organismo.

Já a vontade de comer costuma surgir de forma repentina e intensa. Muitas vezes, ela vem acompanhada de um desejo muito específico, como chocolate, doces, salgadinhos ou outros alimentos altamente palatáveis. Além disso, esse impulso frequentemente aparece mesmo quando a pessoa fez uma refeição completa há pouco tempo, indicando que o organismo não está necessariamente precisando de energia, mas respondendo a outro tipo de estímulo. Nessa linha de raciocínio, Lucas Peralles explica que aprender a observar essas diferenças ajuda a reduzir decisões impulsivas e favorece uma relação mais consciente com a alimentação.

 

O cérebro também come por recompensa

Sempre que consumimos alimentos ricos em açúcar e gordura, áreas do cérebro relacionadas ao prazer são ativadas, liberando neurotransmissores como a dopamina. Esse mecanismo faz parte da biologia humana e foi fundamental para a sobrevivência ao longo da evolução, incentivando a busca por alimentos energéticos em períodos de escassez.

Hoje, porém, vivemos em um ambiente completamente diferente. A oferta constante de alimentos ultraprocessados, associada ao estresse cotidiano e à facilidade de acesso, faz com que esse sistema de recompensa seja ativado com muito mais frequência. Com o tempo, o cérebro pode aprender a utilizar a comida como uma forma automática de aliviar emoções desagradáveis, mesmo quando não existe necessidade fisiológica de comer. Esse processo não significa falta de disciplina ou de força de vontade. Trata-se de uma resposta biológica influenciada pelo comportamento, pelo ambiente e pelas experiências acumuladas ao longo da vida.

Estresse e ansiedade aumentam a vontade de comer

Entre os fatores que mais influenciam o comportamento alimentar está o estresse. Situações de pressão constante favorecem o aumento da produção de cortisol, hormônio que pode estimular o apetite em algumas pessoas e aumentar o interesse por alimentos mais calóricos e altamente palatáveis.

Lucas Peralles

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De maneira adicional, a alimentação costuma ser utilizada como estratégia para aliviar desconfortos emocionais. Comer pode produzir sensação momentânea de prazer e relaxamento, mas esse efeito costuma ser temporário. Quando o problema que desencadeou o comportamento permanece, o ciclo tende a se repetir, favorecendo episódios frequentes de alimentação emocional. 

Na prática clínica, Lucas Peralles evidencia que identificar esses gatilhos representa uma etapa fundamental para quem deseja emagrecer de forma consistente, pois muitas dificuldades atribuídas ao metabolismo estão, na verdade, relacionadas ao comportamento alimentar.

É possível reaprender a reconhecer os sinais do corpo

Assim como o cérebro aprende determinados comportamentos, ele também pode desenvolver novos padrões. Uma das estratégias mais importantes é desacelerar o momento das refeições, permitindo que o organismo tenha tempo para processar os sinais de fome e saciedade. Comer com atenção, reduzir distrações como televisão e celular e observar o nível de fome antes de iniciar a refeição são hábitos que ajudam a fortalecer essa percepção.

Outra atitude importante é identificar quais situações costumam despertar a vontade de comer. Cansaço, ansiedade, rotina desorganizada, privação de sono e longos períodos sem alimentação podem funcionar como gatilhos para escolhas impulsivas. Quando esses fatores são reconhecidos, torna-se muito mais fácil desenvolver estratégias para lidar com eles sem recorrer automaticamente à comida.

Esse processo não busca eliminar o prazer de comer, mas permitir que as decisões alimentares sejam cada vez mais conscientes e menos determinadas por impulsos momentâneos.

Alimentação equilibrada também envolve comportamento

Muitas pessoas acreditam que emagrecer depende exclusivamente de saber quais alimentos consumir. Entretanto, compreender por que se come é tão importante quanto escolher o que comer. Uma alimentação equilibrada envolve aspectos fisiológicos, emocionais e comportamentais que precisam ser considerados de forma integrada.

Por isso, estratégias extremamente restritivas costumam falhar a longo prazo. À medida que o foco está apenas em controlar alimentos, sem compreender os fatores que influenciam o comportamento alimentar, aumenta a probabilidade de episódios de compulsão, culpa e abandono do planejamento nutricional.

O primeiro passo para mudar é aprender a ouvir o próprio organismo

Diferenciar fome de vontade de comer não acontece da noite para o dia. Trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida gradualmente por meio da observação, da prática e da construção de novos hábitos. Quanto maior a capacidade de reconhecer os sinais do corpo, menores tendem a ser as decisões impulsivas e maior é a autonomia para fazer escolhas compatíveis com os próprios objetivos.

Para Lucas Peralles, emagrecer de forma saudável não significa lutar constantemente contra a comida, mas compreender como o organismo funciona e desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação. Quando a pessoa aprende a identificar suas necessidades reais e entende os fatores que influenciam seu comportamento alimentar, o processo deixa de depender apenas da força de vontade e passa a ser sustentado por escolhas mais naturais, equilibradas e duradouras.

 

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